Esta produção, apesar de ter sofrido ligeiras alterações, foi vista pela primeira vez em 2008 na Royal Opera House de Covent Garden, tendo sido fortemente ovacionada. Também o grande auditório da FCG voltou a encher em relativamente pouco tempo e a ter muitos espectadores batendo palmas.
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Imagem publicitária da Gulbenkian. |
Alagna, fazendo de Carlos, mantém uma postura
demasiado confiante, exibicionista e cheia de mau gosto na actuação e no canto. Produziu imensos sons feios e por vezes forçados (mais nas notas fortes do que nas agudas?), enquanto actuou como em qualquer outro papel: heroicamente mesmo devendo ser romântico. Em todo o caso, estas críticas são apenas preciosismos cépticos...
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Primeiro acto em Covent Garden (2008), com Villazón. |
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O túmulo de Carlos V no acto II (fot. Covent Garden). Nesta produção, o túmulo não tinha degraus. Originalmente, em 2008, estes serviam de apoio cénico a Poplavskaya, que não os soube usar. |
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O cenário do 2.º quadro do acto II. Na minha opinião, este cenário foi demasiado pensado. Parece-me há pouco equilíbrio entre as formas. É evidente que os ciprestes pretendem criar harmonia com as "escadas" vermelhas, vindo na sequência dos coquelicots de trás; mas acabaram por tornar a imagem pesada e demasiado cheia. |
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Elisabete (Poplavskaya) e Carlos (Alagna), no segundo quadro do segundo acto. Nesta fotografia, observa-se grande cuidado com composição, proporção, equilíbrio e harmonia de cores, que se associam à beleza dos trajes. Acho que a ideia do contacto físico deveria ter sido mais desenvolvida. Respondem-me "ah, e tal, mas isto tem tudo que ver com o afastamento". Afastamento físico, mas proximidade de espírito! E isso deve ser representado. |
Poplavskaya esteve como Elisabete. Como diz o júri dos "Ídolos": "cantas bem mas não me alegras". A soprano cometeu os mesmos erros de 2008, passando o seu problema por uma falta de expressividade que em nada fortalece a sua imagem pouco carismática, que assenta numa simples voz bonita.
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Filipe de Espanha (Furlanetto) e Rodrigo (Keenlyside), no acto II. Muito bem concebido. Óptimo esquema de luzes! |
Vindo de grandes êxitos, Furlanetto teve uma prestação irregular como rei. De início estava rouco, tendo terminado numa melhor forma que não corresponde às capacidades vocais que lhe tenho ouvido em gravações.
Já o Rodrigo de Keenlyside parecia ter estado a fumar com alguns d
estes senhores. Não esteve em grande forma vocal, mas cumpriu bem o papel.
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Furlanetto no acto III. O edifício que se observa ao fundo foi bem esculpido numa só cor, encontrando um bonito contraste cromático entre o vermelho do sangue de Cristo e do fogo e o dourado da Igreja. |
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"Dai liberdade à Flandres." |
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"Ouvi estes homens que te traz teu filho." |
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A genial cena do diálogo com o grande inquisidor, igualmente concebida de forma formidável pela encenação. |
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A prisão no acto III. Simplicidade e equilíbrio linear. |
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Encenação
18/20
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Yannick Séguin Maestro + Orquestra
19/20
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Marina Poplavskaya Elisabeth
16/20
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Roberto Alagna Don Carlo
17/20
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Simon Keenlyside Rodrigo
17/20
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Ferruccio Furlanetto Filipe II
17/20
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Anna Smirnova Eboli
15/20
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Eric Halfvarson Grande Inquisidor
17/20
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Câmara
14/20
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GLOBAL
17/20
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(O programa tem umas trocas de personagens.)
Infelizmente, tal como acontece com frequência no resto do mundo, houve falhas bastante marcadas na transmissão audiovisual; mas nada que não fosse ultrapassável. Foi uma tarde bem passada.
As fotografias desta produção são da autoria de Ken Howard/Metropolitan Opera.
Aproveito para partilhar
isto.