Giuseppe VERDI: 1813-1901-2013


É dia de homenagear o grande maestro, que comemoraria hoje 200 anos. Sugestão do Valkirio: “Pace, pace” da Força do Destino, interpretada por Elisabete Matos. Sugestões do P.Z.: "O tu che in seno gli angeli", da mesma ópera, por José Carreras, D’amor sull’ali rosee”, por Leontyne Price, e “Ah si, ben mio... Di quella pira!” por Franco Corelli, do Trovador.






Escrevendo neste blog, várias horas foram passadas contemplando e reflectindo sobre a obra de Verdi. Nenhuma delas foi mal passada, porque quanto mais o P.Z. mergulha na ópera do mestre italiano, mais encantadores se tornam os seus detalhes e, muitas vezes, as suas árias. O esquema conceptual de Verdi não será de tanta profundidade como o do seu “complementar” germânico (também já celebrado aqui), mas é na sua subjectividade e inspiração que o podemos redescobrir sempre, com as alterações do humor e filosofia do espectador.

O P.Z. não tem a certeza de qual foi a primeira ópera que viu, mas algumas das primeiras foram o Nabucco, a Traviata e o Rigoletto. A última ainda é uma referência principal no seu mapa musical porque—apesar de o P.Z. ter dormido entre o acto II e “La donna è mobile”—houve qualquer coisa que ficou a sedimentar-se nas suas ideias e fez com que comprasse uma gravação do Rigoletto. O P.Z. ouviu essa gravação tantas vezes que ainda hoje conhece a ópera quase de cor.

Em setembro, o P.Z. visitou o teatro alla Scala pela primeira vez. Foi impressionante estar naquela sala (agora reconstituída) onde se passaram tantas noites lendárias com a música de Verdi (e de tantos outros grandes). Em Dezembro, o P.Z. peregrinará a New York para ver o Falstaff. Que será que se avizinha?

Celebre o bicentenário do nascimento de Verdi partilhando nos comentários alguma história que o tenha marcado graças à música do mestre!

Il Postino | Teatro Real (crítica madrileña)


Il Postino: “es el llanto del mar”
Teatro Real, Madrid, 23 de Julho de 2013

Quanto mais o P.Z. pensa em Il Postino de Daniel Catán, mais ideias sobre ele tem e cada vez mais se convence de que se trata de um bom trabalho: e acima de tudo, não restam dúvidas de que é uma ópera. O sistema de transição de cenas de Il Postino é dinâmico e inovador, propondo uma sequência quase cinematográfica que desafia o conceito tradicional de “ópera”. Ao longo do trabalho, há apontamentos musicais mais modernos, outros mais líricos e alguns momentos cómicos, de modo a não criar um ambiente nem demasiado intelectual (ou metafórico, como diria Catán), garantindo com bom gosto a originalidade dentro da composição operática. Existe uma sonoridade condutora quase melódica, que se desenvolve dentro de um estilo singularmente tocante: é uma metáfora para a subtileza das metáforas que motivam a ópera.

Mário, o carteiro de Pablo Neruda durante o seu exílio à beira do mar azul de Itália, aspira a sensibilidade de Neruda. Apesar de não saber o que é uma metáfora, reconhece a beleza dos elogios que faz a Beatriz (“a tua boca é uma borboleta”) e quer aprender com Neruda a arte das palavras e das metáforas. Mas será que a vai conseguir treinar e que a magia da música de Catán também se vai estender ao jovem? Será que tudo é poesia na reviravolta social e política dos anos 50?

Unificando a ópera, surge um elo de ligação: uma canção. Neruda ouve em casa, feliz com a sua mulher, uma envolvente gravação de um poema de Manuel Acuña

Comprendo que tus besos jamas han de ser mios,
comprendo que en tus ojos no me he de ver jamas;
y te amo y en mis locos y ardientes desvarios,
bendigo tus desdenes, adoro tus desvios,
y en vez de amarte menos te quiero mucho mas.

que surge inicialmente como uma simples canção de amor; arte por arte. Mas depois adquire um sentido diferente quando Mário conhece Beatriz. Toda a poesia pode ser reinterpretada como se queira, ou seja, também Mário pode escrever poesia! De cena em cena, Il Postino torna-se cada vez mais apaixonante e envolvente—mas nunca num sentido complicado. A cena final, passada vários anos depois do acto II, inclui uma narração com encenação em flashback e um momento inesperado: Neruda lê uma carta de Mário que permite um final semi-aberto. Quando se começa a culpar Neruda pela infelicidade que se abatera sobre a família do carteiro durante a ausência do poeta, Mário agradece a maravilhosa poesia que Neruda levou à sua vida: “é sobre o mar que ensina a amar”. E, se na poesia lhe tremer a voz, “é o choro do mar (es el llanto del mar)”. O pano cai, contemplando poeticamente o mar de Itália, com a maravilhosa orquestra de Catán num momento maravilhoso.

Ouvir Il Postino pela primeira vez foi como ouvir uma ópera conhecida, na certeza porém de que o papel de Neruda foi criado propositadamente para Plácido Domingo. Vicente Ombuena tentou representar Neruda, mas não tem nem a envolvência da voz de Domingo nem a habilidade de transmitir a beleza do Neruda segundo Catán. Conquanto não seja nitidamente a personagem principal, Neruda é uma personagem fulcral, pois corporiza a alegria e a elegância na vida, sem deixar esquecer que nem tudo é mar azul: as pessoas também sofrem, e também Neruda sofre. De qualquer modo, quem poderia ser melhor do que Domingo para um Neruda tão humano? Cristina Gallardo-Domas, como mulher de Neruda, também tem um papel diverso: é esposa e amante, mas não é estranha às tentações humanas. Nota-se uma certa pressão da sua parte para que o poeta abandone Itália assim quanto possível, o que acaba por acontecer depois da revolução do Chile. O papel nitidamente foi seu, com entrega total (e maminhas p’ra todos!).

Mário é uma personagem interessante porque não se sabe muito sobre o seu eu: é um carteiro muito comum, mas como humano que é, revela potencialidade psicológica. Não se sabe se o seu talento para escrever poesia é genuíno, nem se acredita verdadeiramente no comunismo ou simplesmente quer imitar o poeta Neruda, o que o torna uma personagem verosímil e humana. Leonardo Capalbo foi quem o interpretou. Conhecido em Lisboa num desastrado Rinuccio (Gianni Schicchi), o tenor surpreendeu positivamente o PZ. A sua interpretação foi completa e emocionante; a sua expressão foi da maior simplicidade ao conhecer Beatriz e muito interessante depois, mas o melhor momento foi, para o PZ, a cena final da carta. O seu par, Beatriz, é uma personagem mais óbvia e menos interessante, embora seja apresentada ao ganhar um jogo de matraquilhos contra o carteiro, mas Sylvia Schwartz também contribuiu positivamente para o nível vocal do espectáculo.

Uma característica inovadora de Il Postino é a multiplicidade dos intervenientes, construindo um autêntico retrato social, naturalmente com algumas limitações e liberdades artísticas. O coro do Teatro Real e as personagens secundárias tiveram interpretações muito boas nesta ópera tão diversa. A orquestra também esteve magnífica e envolvente sob direcção do maestro Pablo Heras-Casado, o que permitiu elaborar esta reflexão sobre a ópera em si. Il Postino é uma ópera simples mas profunda. Não tem um final feliz, nem triste. A encenação de Ron Daniels e Riccardo Hernández também é simples, mas o P.Z. sentiu que a ópera de Catán requer qualquer coisa mais próxima de cinema; talvez cenários que, embora sejam dinâmicos, tenham um aspecto mais sério ou realista. Contas feitas, sem dúvida: uma ópera muito interessante, equilibrada e um espectáculo bonito.

★★★★☆



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Quiz: Excertos de música 10 (Resolvido)



O anónimo acertou!

Verdi: La Forza del Destino, final do acto II: "La Vergine degli angeli". Segundo a colecção "Ópera", nº28:


Jonas Kaufmann em Lisboa (Agosto 2013)




(actualizado 13/08/2013)


Jonas Kaufmann estará em Lisboa durante um atarefado dia do mês de Agosto. Caso não esteja lembrado ou tenha perdido as transmissões arrasadoras do Met Live in HD na Gulbenkian, Kaufmann foi aclamado pelo seu sensacional Parsifal, pelo seu Siegmund (A Valquíria) e pelo seu memorável Fausto. Na temporada 13-14, cá se ouvirá o seu Werther, também Live in HD

A convite da produtora cinematográfica Alfama Films Portugal, o grande tenor alemão será filmado no palco do Teatro Nacional de São Carlos no dia 20 de Agosto, pelo que S. Carlos terá a oportunidade de o ouvir ao vivo, em carne e osso, durante as filmagens do trio "Soave sia il vento" de Così Fan Tutte. Dado que num concerto seriam cobrados os bilhetes, existe apenas uma condição para ouvir Kaufmann: os participantes deverão figurar gratuitamente num dia de filmagens prévios à chegada do tenor (17 de Agosto, das 14 às 24 horas), ajudando a realização deste filme de inegável valor cultural. O horário do dia 20 será livre, podendo os participantes ficar apenas o durante o tempo que quiserem sem os rigores da figuração.

O filme “As Variações de Giacomo” deverá estrear em Maio de 2014, no Festival Internacional de Cannes. O seu elenco contará com John Malkovich, Veronica Ferres, Florien Boesch (baixo), Miah Persson (soprano), Barbara Hannigan (soprano), outros cantores líricos e artistas portugueses. A figuração que se requererá para o acesso à plateia no dia 20 será simplesmente estar na plateia (no dia 17). Segundo a organização, “a figuração em causa tem como papel a plateia do teatro S. Carlos, sendo portanto pessoas actuais e normalíssimas que foram certo dia assistir a uma ópera”. O filme vai "oscilar entre o rococó e os tempos modernos, entre cenas históricas e acções contemporâneas", o que explica que a figuração num filme sobre Casanova não requeira figuração com adereços especiais.

Como é natural, dada a organização necessária nas filmagens, é solicitada inscrição (carregue aqui). Poderão acompanhar os desenvolvimentos no Facebook:
https://www.facebook.com/pages/Jonas-Kaufmann-Portugal/572211462831546?fref=ts# Partilhe esta informação com os seus amigos para que Kaufmann tenha um caloroso incentivo para regressar a Portugal!
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Calendário

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1º - inscrições para figuração

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Sáb, 17 Agosto
Figuração 
14-24h
Plateia do Teatro de S. Carlos
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3ªF, 20 Agosto
Kaufmann em S. Carlos
Horário livre (+info em breve)
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Organização:
Sofia Gomes
21 0996565 ou 91 0772971
 ou
Gonçalo Vaz
gpintovaz@gmail.com