Quiz: Excertos de música 09 (Resolvido)

Como no último quiz ninguém se atreveu, aqui vai uma fácil. Pista: o filme de uma ária desta mesma produção já foi apresentado neste blog! A música é boa, mas o P.Z. pergunta-se se será melhor a música--ou a interpretação em si.

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Afinal, o Paulo, um anónimo e o Hugo Santos identificaram o Werther de Alfredo Kraus. De facto, este é um grande Werther que esteve vários dias sem sair da cabeça do P.Z., com o seu maravilhoso fraseado e notas agudas perfeitas. Esta gravação (no fim do texto) foi feita em S. Carlos, em 1990. Lisboa terá sido um dos mais privilegiados palcos para ouvir Werther, tanto que cá o cantaram Tito Schipa, Tomás Alcaide, Beniamino Gigli e Kraus.

JE NE SAIS SI JE VEILLE

Não sei se ainda sonho, ou se já estou acordado. Tudo quanto me rodeia tem um ar paradisíaco--a mata parece murmurar sons de harpa e um mundo insuspeito se escancara ante meus olhos! Ó Natureza, cheia de atractivos, Rainha do Tempo e do Espaço, digna-te acolher o mísero mortal que passa e te saúda reverente! Que silêncio estuante de mistério! Que calma cheia de solenidade! Como tudo isto é grato e me atrai! Estas paredes, este recanto sombrio; esta fonte cristalina, a frescura do ambiente, onde não há sebe nem moita onde não brilhe uma flor cheia de viço... Ó Natureza, mãe sempre remoçada, adorável e pulcra, inebria-me com teus aromas! E tu, Sol, afoga-me na tua luz!

Colecção Ópera de Sampayo Ribeiro, nº29.

Quiz: Excertos de música 08 (Resolvido)




Quem reconhecerá esta maravilhosa canção, cheia de imagens e sugestões ambíguas? Alguém arriscaria uma interpretação pessoal destes versos maravilhosos? 

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Compositor: Gustav Mahler
Obra:  "A Canção da Terra" (Das Lied von der Erde):  
Der Abschied.
Texto: segundo poemas de Li Po 
Onde ficaste? Deixas-me muito tempo sozinho!
Vou vagueando por aí com o meu alaúde
por caminhos de erva macia e intumescida.
Oh, beleza! Oh, amor eterno - mundo ébrio de amor!

Wo bleibst du? Du läßt mich lang allein!
Ich wandle auf und nieder mit meiner Laute
Auf Wegen, die vom weichen Grase schwellen.
O Schönheit! O ewigen Liebens - Lebenstrunkne Welt!

Richard WAGNER, 1813-1883-2013



Celebra-se hoje o bicentenário do nascimento de Herr Wilhelm Richard Wagner. É imperativo fazer-se notar esta efeméride, porquanto a obra dramático-musical de Wagner constitui um colosso intemporal—sobretudo as suas sete últimas óperas. Wagner era um artista com um raciocínio e com uma criatividade brilhantes: um profundo investigador da condição humana. Independentemente das suas ideologias, qualquer espectador (minimamente preparado) reconhece o carácter humano e filosófico nas óperas de Wagner: o amor de Tristão e Isolda, a perícia em Os Mestres Cantores de Nuremberga, as dialéticas amor-poder no Ouro do Reno, amor-dever em A Valquíria, amor=liberdade em Siegfried, amor=redenção no Crepúsculo dos Deuses (cf. O Holandês Voador e Tannhäuser) e os dramas da vontade humana em Parsifal e Lohengrin.



Porém, pensando em Wagner, não deixam de surgir o espectro pré-nazi e as ideias anti-semíticas do compositor. Felizmente, quem explora a obra de Wagner compreende que a sua arte é muito maior e melhor do que Hitler alguma vez pensou: um verdadeiro tesouro da humanidade.


 

Fica, para terminar, uma pérola da “Canção de Lisboa”: “Estou a ver o cartaz de uma tourada!”, “Não é uma tourada. Isto é um Tannhäuser. É outra coisa!”