Il Cappello di Paglia di Firenze | Teatro Nacional de São Carlos (Crítica)

Figurantes que "iniciam" os actos.

O Chapéu de Palha de Itália é uma ópera de Nino Rota, compositor do soundtrack da grande trilogia de filmes O Padrinho. É uma ópera muito leve, de carácter quase rossiniano. Eis a minha sinopse:
É o dia do casamento de Fadinard (Mário João Alves) com Elena (Lara Martins). Fadinard conta que, na chegada a Paris, o seu cavalo comeu um chapéu de palha de Florença que pertencia a Anaide (Dora Rodrigues). De repente, em sua casa, entra Anaide acompanhada por um militar (João Merino), que lhe exige um chapéu igual, porque nessa mesma noite Anaide (sua amante) terá de regressar a casa e mostrar o chapéu ao marido ciumento. Enquanto não tiverem o chapéu, o militar e Anaide fechar-se-ão em casa de Fadinard, sob a ameaça iminente de um duelo.
Fadinard procura o chapéu numa modista (Ana Franco), que lhe indica que quem lhe comprou um igual foi a baronesa de Champigny (Maria Luisa de Freitas); e o herói vai atrás dela. Chegando a sua casa, é confundido com um violinista virtuoso, tirando disso proveito para concluir que o chapéu foi oferecido a Mme. de Beaupertuis.
Fadinard chega então a casa de Beaupertuis e conta ao dono (Luís Rodrigues) a sua história: depressa este identifica a sua esposa como Anaide e ambos seguem para casa de Fadinard.
No meio de peripécias e confusões buffas, um chapéu igual surge como prenda de casamento a Elena, sendo entregue a Anaide (e acidentalmente estragado logo a seguir). Beauperuis fica convencido de que tudo está bem no seu casamento e a boda de Fadinard e Elena prossegue ditosa.
Os cantores portugueses, mais ou menos como especulei no último post, foram bem escolhidos. Deles, destaco José Fardilha como Nonacourt, que teve uma óptima prestação. Diga-se de passagem que os outros solistas cumpriram e criaram um bom ambiente musical.
A direcção musical de João Paulo Santos pareceu-me interessante na música de Rota, que pouco génio ou ambiguidade revela. Mas tenho a certeza de que o maestro, a dado momento, estava "atrás" da música.
A encenação, do ponto de vista da cenografia e dos figurinos, esteve interessante, colorida, dinâmica e vivaz, condizendo economicamente com esta ópera. Todavia, a movimentação dos actores em palco nem sempre foi bem concebida, parecendo até forçada e, em alguns casos, pouco corroborada pelas capacidades expressivas dos cantores.

★★★☆☆ (3/5)

Fotografias:

Cena do casamento.

As trabalhadoras da modista.

O ciumento Beaupertuis imaginando onde tarda a sua esposa a chegar.

O célebre!!!
Imagens da páginal oficial do TNSC no Facebook e do programa de sala.

Il Cappello di Paglia di Firenze (O Chapéu de Palha de Itália) | Teatro Nacional de São Carlos

 Está à procura da crítica? Carregue aqui para seguir para esse post.

O Chapéu de Palha de Itália (ou de Florença?) é uma ópera em quatro actos que narra uma história algo buffa -- se bem que posta em música por um compositor de soundtracks de filmes dos anos 1950' -- acerca, como o nome indica, de um chapéu.

Imagens de http://www.facebook.com/SaoCarlos.
No regresso do seu casamento, o cavalo de Fadinard come o chapéu de Anaide, que exige um igual, sob a ameaça de desafio para um duelo que o seu amante faz a Fadinard; o protagonista procura, acabando por ir parar à casa da própria Anaide, sem o chapéu; por sorte, aparece o tio de Fadinard, que lhe oferece um chapéu igual ao outro. Ficam todos felizes e a ópera acaba.


Claro que isto é demasiado pesado para o Plácido Zacarias, e ele preferiu ficar no sofá a ouvir o broadcast d'A Valquíria da Metropolitan Opera House. Não obstante, o S. Carlos já divulgou um filme com excertos do espectáculo -- e eu, em tempos de troika, não vou gastar dinherio com encenações que misturam os vestuários dos séculos XVIII e XX. Fico à espera de comentários de leitores que tenham ido ver, porque os cantores portugueses parecem ter sido bem escolhidos.

Que nota daria o leitor?
  
pollcode.com free polls

Il Trovatore | Met Live in HD

Assistimos ontem, Live from The Metropolitan Opera House, a um bom espectáculo.

Um dos cartazes publicitários, com Hvorostovsky. O baixo-barítono esteve fenomenal como conde de Luna -- nada mais a dizer.
Com uma encenação bem concebida, McVicar concebeu uma plataforma rotativa em parte do palco, permitindo a troca de cenários, assentes em dois espaços-base. A acção foi transportada para o século XVIII -- o que foi, provavelmente, menos interessante.

O cenário com as bigornas, para o célebre coro.
O herói Manrico (o trovador) foi interpretado por Marcelo Álvarez, que esteve à altura do papel pedido. É um tenor já conhecido e de carreira mais ou menos estabelecida. Um dos tags que eu lhe daria, logo à partida, era o de rouco, mas passou muito bem, com uma técnica consistente. Quando chegou aos dós agudos (?) em "all'armi", nem acreditei no que estava a ouvir: som claro, seguro, e bem prolongado. Bravo!

Radvanovsky e Hvorostovsky.
Sondra Radvanovsky, por sua vez, tomou o papel de Leonora. Fiquei com a impressão, como dizem os Fanáticos da Ópera, de que a sua voz "era capaz de encher três Mets", perdendo a beleza do timbre. Não nego que tenha uma voz bonita, mas nego que tenha boa técnica e boa dicção -- não se percebe nada do que canta. Por vezes, nota-se que há alguma falta de controlo sobre as inspirações. Mas, dicção fora, arrasou na ária "d'amor sull'ali rosee". Nada mal.

Radvanovsky como Leonora.
O difícil papel da cigana Azucena foi interpretado pela meio-soprano Dolora Zajik. Parece que não sou o único a reparar que esta é a Azucena do Pavarotti no Met; mais de vinte anos depois, é óbvio que já não iguala a arrasadora qualidade que teve outrora, mas permanece uma óptima intérprete, com credibilidade cénica crescente!

  
Álvarez com Radvanovsky, no finale.
A direcção de Marco Armiliato, em substituição do grande Levine, indicia, cada vez mais, uma nova era para o Met: a era de Armiliato, principal conductor. E se for como ontem, não parecem haver motivos para grandes reclamações.