Il Cappello di Paglia di Firenze (O Chapéu de Palha de Itália) | Teatro Nacional de São Carlos

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O Chapéu de Palha de Itália (ou de Florença?) é uma ópera em quatro actos que narra uma história algo buffa -- se bem que posta em música por um compositor de soundtracks de filmes dos anos 1950' -- acerca, como o nome indica, de um chapéu.

Imagens de http://www.facebook.com/SaoCarlos.
No regresso do seu casamento, o cavalo de Fadinard come o chapéu de Anaide, que exige um igual, sob a ameaça de desafio para um duelo que o seu amante faz a Fadinard; o protagonista procura, acabando por ir parar à casa da própria Anaide, sem o chapéu; por sorte, aparece o tio de Fadinard, que lhe oferece um chapéu igual ao outro. Ficam todos felizes e a ópera acaba.


Claro que isto é demasiado pesado para o Plácido Zacarias, e ele preferiu ficar no sofá a ouvir o broadcast d'A Valquíria da Metropolitan Opera House. Não obstante, o S. Carlos já divulgou um filme com excertos do espectáculo -- e eu, em tempos de troika, não vou gastar dinherio com encenações que misturam os vestuários dos séculos XVIII e XX. Fico à espera de comentários de leitores que tenham ido ver, porque os cantores portugueses parecem ter sido bem escolhidos.

Que nota daria o leitor?
  
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Il Trovatore | Met Live in HD

Assistimos ontem, Live from The Metropolitan Opera House, a um bom espectáculo.

Um dos cartazes publicitários, com Hvorostovsky. O baixo-barítono esteve fenomenal como conde de Luna -- nada mais a dizer.
Com uma encenação bem concebida, McVicar concebeu uma plataforma rotativa em parte do palco, permitindo a troca de cenários, assentes em dois espaços-base. A acção foi transportada para o século XVIII -- o que foi, provavelmente, menos interessante.

O cenário com as bigornas, para o célebre coro.
O herói Manrico (o trovador) foi interpretado por Marcelo Álvarez, que esteve à altura do papel pedido. É um tenor já conhecido e de carreira mais ou menos estabelecida. Um dos tags que eu lhe daria, logo à partida, era o de rouco, mas passou muito bem, com uma técnica consistente. Quando chegou aos dós agudos (?) em "all'armi", nem acreditei no que estava a ouvir: som claro, seguro, e bem prolongado. Bravo!

Radvanovsky e Hvorostovsky.
Sondra Radvanovsky, por sua vez, tomou o papel de Leonora. Fiquei com a impressão, como dizem os Fanáticos da Ópera, de que a sua voz "era capaz de encher três Mets", perdendo a beleza do timbre. Não nego que tenha uma voz bonita, mas nego que tenha boa técnica e boa dicção -- não se percebe nada do que canta. Por vezes, nota-se que há alguma falta de controlo sobre as inspirações. Mas, dicção fora, arrasou na ária "d'amor sull'ali rosee". Nada mal.

Radvanovsky como Leonora.
O difícil papel da cigana Azucena foi interpretado pela meio-soprano Dolora Zajik. Parece que não sou o único a reparar que esta é a Azucena do Pavarotti no Met; mais de vinte anos depois, é óbvio que já não iguala a arrasadora qualidade que teve outrora, mas permanece uma óptima intérprete, com credibilidade cénica crescente!

  
Álvarez com Radvanovsky, no finale.
A direcção de Marco Armiliato, em substituição do grande Levine, indicia, cada vez mais, uma nova era para o Met: a era de Armiliato, principal conductor. E se for como ontem, não parecem haver motivos para grandes reclamações.

"Elisabete Matos Isolda"

Tal como apareceu ontem no YouTube e captei hoje no blog dedicado a Elisabete Matos -- soprano portuguesa de alguma referência que desde 2008 não pisa os palcos de S. Carlos --, eis a cena final do "Liebestod" ("Mild und leise") de Tristão e Isolda, que cantou em Janeiro, em Oviedo.



Mas o que faz uma cantora desta qualidade numa sala destas que mais parece o Theatro Circo de Braga?! Trazer este material em 2013 é dos primeiros passos para levantar esta crise de ópera em Lisboa -- 'bora nessa, e depressa!

A ópera de Oviedo.