Thomas Hampson na Gulbenkian | 16 de Abril de 2011

Hampson e Jordan em concerto no actual tour.
Sob a batuta do maestro suíço Philippe Jordan, esta noite, o grande barítono Thomas Hampson cantou as seguintes lieder de Mahler, compostas a partir poemas d’A Trompa Maravilhosa da Juventude:
Ich ging mit Lust durch eubeb grünen Wald
Ging' heut morgen übers Feld
Rheinlegendchen
Das irdische Leben
Wo die schönen Trompeten blasen
Lied des Verfolgten im Turm,
Apesar de ser um cantor que vai já caminhando pelo seu outono vocal, Hampson mantém o seu enorme carisma desde que entra no palco até ao encore (Wer hat dies Liedlein erdacht?), que deu no fim, dirigindo-se simpaticamente ao público, afirmando que é para ele um prazer estar de novo na FCG (que o recebeu com sala quase cheia -- wtf? -- com as tosses habituais).


A segunda parte foi só com o actual Director Musical da Ópera de Paris e a Mahler Jugendorchester, que tocaram a sinfonia Titã, de Mahler. Gostei da direcção musical de Jordan, mas o maestro não me convenceu nem com o som dos metais, que me pareceu quase impertinente no primeiro andamento, nem com os tempi do terceiro, que devem evoluir para " wie eine Volksweise" ("como uma canção popular") -- muito mais simples e eficaz, penso eu.

Que nota daria o(a) leitor(a)?
5 estrelas
4 estrelas
3 estrelas
2 estrelas
1 estrela

  
pollcode.com free polls

Exposição: "Expo/ TNSC: A prospectus archive", de Paulo Catrica

Resultante de uma parceria entre a Fundação EDP e o TNSC, foi inaugurada anteontem, no Museu da Electricidade, a segunda parte de um ciclo expositivo acerca do TNSC. Tendo já ido à primeira parte, o Plácido Zacarias não resistiu a voltar ao ataque.


Desta vez, no mesmo espaço, foram expostas 21 fotografias, incluindo o auditório visto do centro do palco, a "sala das costureiras, o camarim do maestro, velhas oficinas e carpintarias", etc. (Fonte.) Há um objectivo muito mais claro do que as sábias reflexões de autor-umbigo do texto que acompanhava a primeira exposição. A ideia é que o Teatro Nacional de São Carlos é um espaço antigo, repleto de pormenores associados a histórias incontáveis. Tenta-se, então, fazer um levantamento fotográfico desse "teatro que existe dentro do teatro" [wtf?]. Ideia interessantíssima, não fosse o número de fotografias ser um recorde para um teatro inteiro... Entre as 21 fotografias, havia algumas muito interessantes -- e que decerto teriam muito para contar!

Eu estive aqui uma vez, em visita guiada, e não cheguei a perceber o que isto era.
Quem estiver com muita vontade de ir aos pastéis, aproveite e passe pelo Museu da Electricidade. A exposição está patente até 22 de Maio e a entrada é gratuita. Além disso, pode sempre aproveitar para visitar as outras exposições.

Principal imagem publicitária.

Zampieri manda um abraço de soliedaridade para Portugal

A propósito da demissão de José Sócrates (que até tenho medo de saber onde vai isto dar...):

"Estou preocupada com a grave crise que Portugal enfrenta. Estou muito ligada a este esplêndido País e a tantos grandes amigos que lá habitam. Um grande abraço de solidaridade a todos eles."
A Diva publicou isto ontem no seu Facebook, por volta da uma da manhã. Portugal agradece e deixa um abraço de saudade. :-)

Lucia di Lammermoor | Met Live in HD

 ...E vai mais uma transmissão de alta qualidade para o auditório da Fundação Calouste Gulbenkian de Lisboa, em directo da Metropolitan Opera House, de Nova York!

Imagem publicitária.
A encenação de Mary Zimmerman -- já comercializada pela Deutsche Grammophon -- é uma encenação de essência moderna que transporta a acção no tempo, situando-a no último quartel século XIX. É uma encenação coesa, não muito complexa, e eficaz. Ora aqui está um exemplo a seguir!
Tézier como Enrico.
Natalie Dessay começou com "a garganta seca", como afirmou em entrevista a Renée Fleming, no backstage, mas foi recuperando até à gloriosa "cena da loucura". Sendo uma actriz nata, arrasou também vocalmente. Lembro que o público se mexe muito no Met Live; quando chegou àquela parte da "pirotecnia vocal", veio-me um espirro (felizmente contido) que me desconcentrou por breves momentos, e reparei, lá do fundo da plateia C: um auditório de cabeças imóveis, de olhos bem abertos (e presumo que de boca aberta babando). A interpretação destas árias por Dessay é, de facto, estupenda, e vale todo o espectáculo. Uns meses depois da perda de La Stupenda, há que seguir em frente!
A visão do "fantasma" foi representada coreograficamente.
Como Edgardo, esteve Joseph Calleja, que mostrou as suas óptimas habilidades de tenor à antiga. De grande tamanho ao lado da pequenina Dessay, o tenor conseguiu arranjar espaço para brilhar, mas ainda tem muito que evoluir para estar ao nível da parceira...
O acto II, culminado em fotografia.
Enrico foi interpretado por Ludovic Tézier -- barítono dotado de uma boa voz e postura física para o papel. O Raimondo de Kwangchul Youn também não se saiu nada mal, mas também não teve grande destaque no seu papel secundário.
A célebre "cena da loucura".
Não fiquei um fã da direcção musical de Patrick Summers. Não gostei do dueto "Verranno a te sull'aure", e isso parece ter feito a diferença de uma forma muito pragmática na minha impressão final.
Valeu bem a pena!