Está engraçado! É pena só ter arranjado a versão dobrada; a voz do Johnny Depp é impagável a fazer de Rango (lagarto). Em vez de termos a cavalgada das valquírias, temos o voo dos seres esquisitos. Munida também do Danúbio Azul, esta é uma cena que contraria o estereotipo da música clássica que só serve para fazer anúncios televisivos. (No YouTube, há um comentário que diz, acerca do Danúbio: "If I go to space, I'm gonna play this when I float around in the space ship lol", que é algo de que não podemos fugir neste Strauss e vemos neste filme.)
Beethoven 7 from The King's Speech
Esta cena não teria sido a mesma sem o solene 2.º movimento da 7.ª sinfonia...
Portugal Tem Talento! ou Não?: "Nessun dorma" do Theatro Circo!
Há ou não talento neste programa em que, desde este cromo sem piada nenhuma, já se torna um clássico ir cantar "Nessun dorma"?
Pode ganhar, mas a voz apenas imita a de tenor operático. O resto é o que ele tem de trabalhar para ganhar o concurso e, quem sabe, lançar uns diquitos de música ligeira para promoção da Worten.
Iphigénie en Tauride | Met Live in HD
Para começar um espectáculo daqueles que não se vêm todos os dias, Peter Gelb, o general manager da Metropolitan Opera House, dirigiu-se ao público, dizendo que alguns dos cantores que iam cantar estavam ligeiramente constipados. Felizmente, eu não notei nada; mas pareceu-me ouvir uma coisa MUITO esquisita a seguir ao discurso de Gelb. Alguém mo confirma?
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| Uma das imagens publicitárias |
A encenação é tradicional, representando uma dialéctica bem pensada entre dois espaços: o interior e o exterior do templo. Por um lado, permitia a realização de efeitos cénicos interessantes, que foram bem explorados. Por outro lado, despromoveu a circulação de personagens de dentro para fora da cena e vice-versa, conferindo ao espectáculo um carácter algo estático.
Susan Graham assumiu o papel de Iphigénie sem constipações, tendo sido cantora e actriz de alta qualidade: uma intérprete de referência para este papel.
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| Graham e Domingo - uma das imagens publicitárias da produção. |
Plácido Domingo, como Oreste, é um cantor muito inteligente que, aos 70 anos, ataca mais um papel de barítono. Cantando algumas notas agudas muito tremidas, eis que entram em acção o seu enorme carisma e a sua curiosamente inteligente técnica vocal. É sempre um prazer ver o Grande Plácido.
Paul Groves, como o grande amigo de Oreste, é mais uma pequena estrela cujo brilho é ofuscado pelo Grande Plácido. Groves canta bem, faz-se ouvir. Talvez tenha estado um bocadinho aflito com os tempi da orquestra em "Unis dès la plus tendre enfance", mas pode ser sido impressão minha.
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| Groves e Domingo. |
Conduzindo a orquestra do Met esteve Patrick Summers que, a meu ver, teve uma óptima direcção musical: além de a orquestra em si ter produzido um som muito agradável e coerente dentro do que proporciona a música de Gluck, não houve uma única vez em que se tenha abafado um intérprete.
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| "Deixai-o ir ou mato-me eu!". Grande Plácido!!! |
Também foi agradável ter Natalie Dessay como apresentadora do backstage, que pela apresentação lá passou umas fífias, tendo-nos deixado já com uma antevisão positiva (ao contrário do que escreve o NY Times) da Lucia de Lammermoor do próximo mês.
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