Ora aqui está um espectáculo para entrar e sair na mesma.
Blue Monday esteve em estreia portuguesa numa produção mais ou menos proporcional ao que a ópera pede. Pessoalmente, acho que a encenação ficou aquém do que se deveria ter num teatro nacional. Uma sugestão concreta? Reutilizar, sem quaisquer remodelações, os óptimos cenários (e figurinos) de "Um Eléctrico Chamado Desejo", exibidos no Teatro D. Maria no ano passado.
![]() |
| Blue Monday: cenários pouco interessantes e figurinos mal concebidos (segundo os esclarecimentos do programa). |
A soprano Laura Giordano -- que já cantou com Flórez -- foi substituída por motivos de saúde, tendo-nos deixado com uma Lauretta pouco interessante, em dueto com um Rinuccio (Leonardo Capalbo) de bonito timbre e pobre técnica, que nem sempre conseguia projectar a voz. Gianni Schicchi foi interpretado por Yanni Yanissis, que cantou bem, faltando-lhe expressividade quer no canto, quer na actuação. A encenação foi um fiasco.
Na minha ignorância, penso que a direcção musical em Gershwin não é um factor determinante, ao contrário de Puccini. Penso que a direcção musical do Director Artístico tendia a separar os instrumentos, não tendo conseguido atingir a subtil melodia de Gianni Schicchi, condizendo assim com a exagerada encenação da mesma ópera.
Exibindo duas óperas de um acto, pergunto-me se não se poderia ter antes levado três ao palco e ter o Tríptico. Parece que o espectáculo se integra num "ciclo" de três "óperas, que surge na sequência [do] Outro Fim (Culturgest, 2008), (...) feitas da mesma matéria. De fins evidentes", mas acho a ideia muito desinteressante e pouco acessível.
Exibindo duas óperas de um acto, pergunto-me se não se poderia ter antes levado três ao palco e ter o Tríptico. Parece que o espectáculo se integra num "ciclo" de três "óperas, que surge na sequência [do] Outro Fim (Culturgest, 2008), (...) feitas da mesma matéria. De fins evidentes", mas acho a ideia muito desinteressante e pouco acessível.





