Provavelmente a melhor produção da temporada, esta produção tinha apenas o "isco" Dagmar Pecková; pouco mais de chamar a atenção. E foi suficiente para o público "morder". Espera-se, à partida, para este repertório, menos público. Mas, pelos vistos, na segunda noite (de semana), a sala estava mais cheia do que numa dessas matinées desertas que se tem visto.
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| Acto I. |
A encenação era interessante. Apresenta-nos um conceito de cenário moderno, de formas equilibradas e simples -- coisa que calha sempre bem ao Plácido Zacarias. A parede deslocou-se de modo a diferenciar o interior do exterior da casa, revelando o atraso tecnológico dos sistemas de mudança de cenários, que foram ruidosamente empurrados à mão. O acto II foi impecável. No acto III, não achei de bom gosto o painel do diabo, que naturalmente remetia para o pecado de Katya.
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| Katya em desespero no acto III. |
A direcção musical de Julia Jones foi óptima, mas abafou os cantores.
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| Acto III. Os relâmpagos. Aquele cartaz parece simbolizar o pecado (tentação do Diabo) de Katya... um bocado desinteressante, não? Também não se tentou simular a chuva... |
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| Acto III: "Deixa-a, que não vale a pena" - cena final. |
Aushrine Stundyte fez de Katia e cantou bem, com um tom menos metálico do que o habitual. Ainda assim, cantou com a técnica a que alguns apreciadores chamam "grito". Nunca falha no drama visual cantando contra as colunas... pois, porque em S. Carlos só se actua assim; desde a Brünnhilde até à Mimì!
Como Kabanicha, esteve Dagmar Peckova, que exibiu uma técnica vocal óptima para uma voz e expressividade adequadas ao papel, não tendo, no entanto feito ouvir-se sempre sobre a orquestra.
Como Boris, esteve Arnold Bezuyen, que esteve bastante aquém do que se pretendia. Não tem um timbre especial, sendo também desfavorecido por notas agudas muito forçadas.
Hans Georg Priese assumiu o papel de Tichon, tendo cantado e actuado bem. É um cantor regular que se ouve bem.
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| Estas imagens são da produção (parece-me ser igual) do Coliseu de Londres, em Maio de 2010. O encenador é David Alden. |



















