Piano: Beethoven & Chopin @ Gulbenkian 7.12.010

Quem tocou hoje no one-man show de piano foi Alexei Volodin. Na primeira parte, tocou sonatas para piano, e, na segunda, os 24 prelúdios de Chopin. O pianista esteve à altura da obra nas duas partes. Deixou-me curioso acerca do seu repertório, visto que me deixou a impressão de que estava ligeiramente à frente de Beethoven, e tinha algumas nuances de música mais moderna em Chopin. Segundo esta fonte oficial, que me parece incompleta, nada disso se confirma necessariamente.

Volodin tal como pisou hoje o palco da FCG.

O que é certo é que Volodin conseguiu chegar ao público pondo-o a aplaudir onde não devia. Como encores, tocou duas peças que eu não reconheci.
As tosses estiveram em auge e, tal como os aplausos fora de tempo, foram ruidosa e frequentemente mandados calar, como se tem (felizmente) visto na Gulbenkian. Estava até comentando com a malta que a Gulbekian poderia ganhar bom dinheiro se conseguisse aproveitar a energia das tosses.

Pérolas no YouTube: Kraus e Cotrubas em S. Carlos, 1990

Um excerto incluindo a soberba ária "Pourquoi me réveiller?", de São Carlos em Abril de 1990. Nessa noite, cantaram Alfredo Kraus, o deus do bel canto, e Ileana Cotrubas, a diva.

Gala de Ópera na Universidade de Lisboa

Novidades. Calha bem para quem queira ir estupidificar-se meia hora a seguir ao Dom Carlos...

Cartaz publicitário.
Programa
Eu só vos digo uma coisa: desde a última experiência que o Zacarias teve com um destes concertos de gala para ir de jeans (gala dos 99 anos da GNR, S. Carlos), ficou parcialmente jurado que era para nunca mais voltar! (Info bilhetes.)

La Fanciulla Del West | Informações dos 100 anos

Bem sei que antes de termos por cá La Fanciulla del West em transmissão ao vivo, temos ainda o Don Carlo de Verdi com um extraordinário elenco e uma encenação que promete; mas, para mim, uma ópera de Puccini é uma ópera de Puccini e tem prioridade.

Uma das imagens pubilicárias da produção comemorativa do centenário, no Met.

O que tenho aqui para partilhar, em primeiro lugar, é o artigo do New York Times que se refere à estreia na antiga Metropolitan Opera House.

 
Fac-símile recortada do artigo do jornal New York Times editado a 11/12/1910.
Carregue nas imagens para as aumentar.

Em segundo lugar, queria deixar umas frases soltas da entrevista que Deborah Voigt deu recentemente a Matt Dobkin, relativa ao papel de Minnie da Fanciulla del West, que cantará no Met a partir do dia 6 de Dezembro por ocasião da comemoração do centenário da estreia (que será apenas 4 dias depois) e que será transmitido ao vivo para todo o mundo na matinée de 8 de Janeiro.

"She is a lot of fun to play." "Minnie is a chick of a different feather."
"(... ) people assume that (...) there must be huge vocal shifts. But I don’t really feel that way. (...) She’s not a breeze by any means! (...) She has a couple of really perilous high Cs that come out of nowhere."
"(...) [Minnie] requires a certain change in color or timbre. The word “voice-wrecker” comes up a lot when people talk about Minnie! But I think that may be because a lot of the women who eventually sing the role come from more lyric Italian repertoire."
"I’m just feeling really excited that I get to sing it (...) Well, I am the girl for the job!"

Imagens publicitárias na nova produção do Met.
 
...Tal como a Butterfly. Devo dizer que acho esta ópera interessantíssima, na medida em que claramente se notam reminiscências de um Puccini Butterflyado que evolui para um outro estilo, dentro do qual se esboçam Suor Angelica, Il Tabarro e a Turandot. (Apesar de La Rondine ser uma ópera muito bonita, de deficiente libretto, dificilmente a encaixo nesta sequência estilística.)

Para terminar, em jeito de crítica, gostava de recomendar uma biografia de Puccini:
Conrad WILSON, Giacomo Puccini, Phaidon Press, 1997/2008 - ISBN 978 0 7148 4775 7.
Eu comprei esta por 11,34€ na Fnac, se bem que esta o tenha comprado por 9,95€. A ideia de que o livro em inglês pode ser de difícil compreensão não passa de uma ilusão, visto que a linguagem é acessível, sintética e precisa. Das 238 páginas, muitas são imagens de grande interesse. Concorrendo, há um livro com uns binóculos na capa traduzido para português, mas esse não tem tão boa informação nem tantas imagens -- mesmo sendo o preço quase o dobro do outro.