«A curiosidade matou o gato» Vox populi.
Aconteceu tudo muito ao contrário do que eu previa.
A "ópera contada por uma actriz", que se poderia por alguns julgar interessante, não foi apenas "contar": foi interromper cena a cena como se faz na Flauta Mágica traduzida e narrada para crianças no festival de Óbidos. Não é certamente coisa a fazer na noite de estreia (e restantes récitas) do espectáculo do único teatro de ópera nacional, com um discurso que diz coisas como "o intermezzo [ââh...] é quase uma peça pop do mundo clássico".
Pensava eu, descartando que por aqui diziam "André não é frequentável", que o director artístico ia ser muito bom tal como fora no espectáculo de abertura da temporada. Qual quê! A meu ver, os tempos e as dinâmicas empregues foram desajustados à música. O intermezzo foi estragado.
Outra supresa foi o coro, visto que desta vez, cantaram bem as vozes masculinas, enquanto as femininas estiveram mal. (Curioso foi ver que na primeria actuação do coro houve barulho e dessincronização no levantar, sentar, etc., enquanto na segunda, foi tudo à décima de segundo. Falta de ensaio?)
Ia eu naïfmente pensando que se uma obra-prima destas era em versão de concerto, era porque estavam muito certos da razoabilidade das prestações dos cantores... no entanto,
Sónia Alcobaça cantou monocordicamente o papel de Santuzza, com o seu timbre desinteressante, de linha de constante vibrato sem qualquer forma de expressividade.
Turiddu foi interpretado Fernando del Valle, que é do mais desinteressante que há: empapa o som, não se faz ouvir, tem timbre feio e é rouco. A meio do dueto com Santuzza, deu-lhe para o spinto, enterrando-se mais na sua debilíssima técnica.
Luís Rodrigues fez de Álfio. Não esteve nas suas melhores condições vocais, tendo-lhe escapado a voz a dada altura no Il cavallo scalpita. O resto já se lhe conhece.
Luísa de Freitas assumiu o papel de Lola. Ao contrário da minha ideia inicial, a cantora safou-se, demonstrando que, apesar de ter timbre feio, tem grande capacidade técnica. Não destoou em nada no espectáculo.
Assim a olhómetro, os camarotes, frisas e balcões estavam a uns 30% (com colunas inteiras livres) de lotação, enquanto a plateia comportava uns 60% da sua capacidade. Martin André já se vestiu bem! Por lá estava passeando, se não me falhou o olhar, Jorge Salavisa, sendo que não se contou com a presença da Sr.ª Ministra.
★☆☆☆☆
Para esquecer. Querem acreditar que estou com remorsos de ter estado sempre em cima do pobre e desinteressante alemão?