A Autobiografia de António Victorino d'Almeida

Recentemente, o ilustre artista nacional, cujas artes passam, além da música, pela escrita e pelo cinema, lançou a sua auto-biografia:

PVP: 24,95 € 608 Páginas + Extratextos
Mais de 600 páginas e dezenas de fotografias, algumas inéditas, dão a conhecer aquele que se viria a tornar umas das figuras mais destacadas do actual panorama cultural do país. Compositor, pianista, maestro, escritor, comunicador nato, eis a autobiografia de António Victorino d’Almeida quando, ao princípio, era ele.
António Victorino Goulart de Medeiros e Almeida nasceu em Lisboa a 21 de Maio de 1940. Aluno de Campos Coelho, finalizou o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional de Lisboa com 19 valores e diplomou-se em Composição pela Escola Superior de Música da cidade de Viena.
Pianista, compositor e maestro, é ainda autor da adaptação para teatro musicado de A Relíquia, de Eça de Queirós, e realizou o filme A Culpa - primeira longa-metragem portuguesa a vencer um festival de cinema no estrangeiro (Huelva, 1980).
Como escritor, publicou, entre outros, Histórias de Lamento e Regozijo, Coca-Cola Killer, Um Caso de Biografia, Polissário, Tubarão 2000, Memória da Terra Esquecida, O Que é a Música, Toda a Música que eu Conheço (2 vols.), Os Devoradores de Livros e Músicas da Minha Vida.
Escreveu, apresentou e realizou mais de uma centena de documentários culturais para a televisão, foi membro do júri do Concurso de Piano de Moscovo e é actualmente Presidente do Sindicato dos Músicos Portugueses.
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Casta Diva nos Simpsons

Menos na sequência deste blog, apresento a 'Casta Diva' do episódio "Mr Plow", da 4.ª temporada da série de Matt Groening. Alguém sabe quem canta?

Das Rheingold | Met Live in HD

O meu interesse em ver esta produção, antes de ser pela excelente direcção musical ou pela qualidade dos cantores, era pela encenação, que correspondeu para cima de 100% à minha expectativa. Lepage recorre ao simples do ponto de vista visual para chegar à perfeição -- que muitos tentam alcançar sem sucesso pela complexidade. Nesta linha de pensamento, talvez tenha achado o esquema de luzes das cenas dos gigantes um pouco sobretrabalhada. Para a próxima, haverá decerto melhorias que distingam o 19,5 do 20.

Alberich tenta trepar até às filhas do Reno, sendo que escorrega (está no libretto) numa espécie de bolas que podemos observar que deslizavam em função de como tentava trepar o nibelungo.
Alberich renuncia e maldiz o amor e rouba o ouro do Reno às 3 creaturas que o provocavam e gozavam.
Freia implora que não seja oferecida aos gigantes.
Loge consola Freia com a energia do seu fogo.
Os gigantes Fasolt e Fafner acabaram o seu trabalho; agora, exigem o pagamento previamente combinado com Wotan: Freia. Nesta parte, apenas Fricka, sua irmã e esposa de Wotan a protege inteiramente, antes de chegarem os outros irmãos.
Chegam os irmãos -- Froh e Donner --, que pretendem salvar Freia "à força". Wotan, sem saber o que fazer, impede-os.
Wotan segue Loge na descida para Nibelheim. Note-se que se as filhas do Reno desafiavam a gravidade a seguir ao prelúdio, esta cena (que se repetiu para a ascenção à montanha dos deuses) ainda a desafiava mais: os dois personagens, tal como se vê, andavam paralelos ao chão (suspensos por cabos, claro), num timing perfeitamente sincronizado com a música e as bigornas!
Alberich recebe o tarnhelm de Mime.
O fabuloso Mime conta a Loge e a Wotan as façanhas de seu irmão Alberich, que escravizava os nibelungos.
Wotan e Loge desafiam Alberich a demonstrar o poder do tarnhelm...
... e Alberich transforma-se numa gigantesca serpente. Eu vi este momento concebido com uma projecção da espinha do monstro diferente: não havia quaisquer labaredas, pelo que o cenário era mais discreto e a serpente mais bem concebida. Esperto, Loge desafia o nibelungo a tornar-se pequeno como um sapo; e este transforma-se num sapo grande e obeso que fez todo o público rir no Met. Depois prendem-no dentro de uma espécie de pote.
Já na montanha dos deuses, Wotan exige em troca da liberdade do nibelungo todo o ouro do outro.

Wotan tira o derradeiro pedaço de ouro de Alberich -- o anel -- e sente o seu poder. Mais interessante seria arranjar imagens de quando ele o empunhava reluzente na mão e o olhava. Terfel actou muito bem nessa cena. Repare-se também na imagem de cartaz, que publicita a genial caracterização de Wotan, com o cabelo pendente sobre o olho que não tem. Fantástico, hem?
Fricka e seus irmãos tentam convencer Wotan a prescindir do anel do poder.
Desenrolada a história, os deuses ascendem ao tão desejado Walhala pelo caminho do arco-íris numa cena estupendamente bem concebida com a plataforma do cenário.
Como Wotan, Terfel foi arrasador. Cantou, actuou... não lhe faltou nada!
Eric Owens, apesar de ser negro, não tinha a voz tão negra como eu gostaria de ouvir a Alberich (metáfora?). Ainda assim, foi arrasador. E um óptimo actor!
Loge foi cantado por Richard Croft, e fez um papelão!...
Mime. Mime? ARRASADOR!! Óptima voz, e actuação ainda melhor. Sem falhas! No entanto, pergunto-me se conseguirá envelhecer ao ponto de ficar o velho traidor de «Siegfried». Saberemos daqui a um ano.

É pena não termos visto uma transmissão em directo. De qualquer modo, acho que uma semana foi tempo suficiente para se ter corrigido e reposto a parte que se saltou do 2.º quadro, quando chegavam Froh e Donner! O grande auditório não encheu por pouco. É um projecto para continuar  -- e AO VIVO.

Todas as imagens contidas neste post são da autoria de Ken Howard/Metropolitan Opera e foram retiradas daqui.

O Pássaro de Fogo (Stravinsky) @ Gulbenkian, 15 de Outubro 2010

A espectativa era elevada. Todos nós temos vindo a descobrir que Joana Carneiro tem sido posta a dirigir Tchaikovsky, Beethoven, e não sei quem mais; mas que o seu verdadeiro repertório é o moderno, incluindo o nosso Stravinsky, compositor do Pássaro de Fogo. E hoje dirigiu-o.

A primeira parte do espectáculo foi com música de Filipe Pires: uma espécie de fantasia moderna sobre Beethoven. Foi bom e permitiu dar sequência entre o repertório do espectáculo. O concerto para piano de Beethoven (no. 4) contou com Jean-Bernard Pommier que apesar de não me ter encantado particularmente, tocou muito bem e levou uma grande ovação. Até se aplaudiu no 1.º movimento!

Joana Carneiro
Depois do intervalo, veio o esperado Pássaro de Fogo -- o momento que se esperava e aspirava. Foi óptimo. Mas achei a parte final ainda mais óptima! Acho que começo a conseguir identificar algumas características comuns desta maestrina, como a sua passagem gradual e rápida de piano para forte.